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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Terremoto na Indonésia: Impactos econômicos e desafios para a recuperação

O terremoto de magnitude 7,7 que atingiu Nusa Tenggara Timur na Indonésia em 15 de agosto de 2026 deixou um rastro de destruição que vai muito além das perdas humanas.

terremoto na Indonésia
imagem meramente ilustrativa por pexel


Foram 103 mortos, 1.666 feridos e 185.131 desabrigados. O desastre expôs a fragilidade de uma região que já convivia com desafios estruturais e logísticos.

O levantamento Damage and Loss Assessment, conduzido pela Badan Amil Zakat Nasional, estimou a perda total em 2,2 trilhões de rupias indonésias.

Esse valor equivale a aproximadamente 140 milhões de dólares americanos.

Embora expressivo, esse número não captura integralmente o impacto sobre a economia local. 

A região depende fortemente de cadeias produtivas interligadas por rotas marítimas e terrestres.

A recuperação econômica após um desastre dessa magnitude exige uma abordagem estruturada em três eixos.

O primeiro eixo é a restauração imediata da infraestrutura crítica. O segundo é a garantia da continuidade das cadeias produtivas. 

O terceiro é o financiamento adequado para uma reconstrução resiliente.

Impactos Imediatos na Atividade Econômica

 Interrupção da cadeia de suprimentos e logística

A geografia insular de Nusa Tenggara Timur torna a logística um dos pontos mais sensíveis da economia regional.

Com estradas danificadas, pontes comprometidas e portos com operações reduzidas, o fluxo de mercadorias foi severamente impactado.

Quatro mercados sofreram danos estruturais. O Pasar Inpres Ruteng, em Manggarai, foi o mais afetado. Sua atividade foi suspensa por risco de colapso.

Isso deixou centenas de comerciantes sem fonte de renda. Os consumidores também ficaram sem acesso a produtos básicos.

A interrupção das atividades comerciais gerou um cenário de pressão inflacionária.

Estima-se que, caso a normalização das rotas demore mais de 30 dias, a inflação adicional pode variar entre 0,2 e 0,5 pontos percentuais.

Em uma região onde grande parte da população já vive com orçamentos apertados, esse impacto é sentido diretamente no preço do arroz, do óleo de cozinha e de outros itens essenciais.

Vulnerabilidade das micro, pequenas e médias empresas

As micro, pequenas e médias empresas representam a espinha dorsal da economia local. São elas que empregam a maior parte da mão de obra.

Mantêm o comércio de bairro, a produção artesanal e os serviços básicos em funcionamento.

No entanto, a destruição causada pelo terremoto atingiu essas empresas em três frentes. A primeira foi a restrição de acesso a capital de giro.

Bancos e cooperativas de crédito passaram a operar de forma limitada ou suspensa.

A segunda frente foi a perda de estoques e equipamentos.

Isso afetou especialmente pequenos varejistas e produtores rurais.A terceira frente foi a dificuldade de acesso a mercados consumidores.

Isso ocorreu devido à destruição de vias e à realocação de famílias desabrigadas.

A projeção é alarmante. Se a interrupção das atividades se prolongar por 1 a 3 meses, a atividade econômica de Nusa Tenggara Timur pode sofrer contração de 0,3% a 0,7%.

Para uma região que já figura entre as menos desenvolvidas da Indonésia, esse retrocesso representa anos de esforços perdidos.

Eixos Estratégicos para a Recuperação

Infraestrutura como pilar da retomada

A experiência internacional demonstra que investir precocemente na reconstrução de infraestrutura comunitária gera retornos expressivos.

Estradas, escolas, hospitais e mercados são os nós que mantêm a economia em movimento.

Quando esses ativos são recuperados rapidamente, o efeito multiplicador sobre o emprego e a renda local é imediato.

Estudos apontam que cada real investido nesse tipo de reconstrução pode gerar até 4 reais em retorno econômico e social ao longo do tempo.

As prioridades operacionais incluem a restauração de rotas logísticas alternativas para garantir o abastecimento de alimentos e medicamentos.

Incluem também a reconstrução de infraestrutura de transporte com critérios de resiliência sísmica.

Isso abrange estradas, pontes e portos. Outra prioridade é a recuperação de redes de energia e telecomunicações.

Essas redes são essenciais para a retomada das atividades comerciais e serviços públicos.

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Financiamento da reconstrução


O financiamento emergencial é o grande gargalo da recuperação.

O déficit estimado para a reconstrução habitacional varia entre 366 bilhões e 593 bilhões de rupias indonésias.

Esse valor supera o orçamento atualmente disponível. Isso significa que, sem novas fontes de recursos, muitas famílias continuarão em abrigos temporários por meses ou até anos.

A mobilização de filantropia e fundos privados surge como um complemento necessário aos recursos públicos.

Organizações não governamentais, empresas e doadores internacionais já manifestaram interesse em apoiar a reconstrução.

Mas a coordenação desses esforços ainda é um desafio. O caso de Sri Lanka após o Ciclone Ditwah, em 2025, oferece uma lição valiosa.

O país utilizou instrumentos financeiros pré-posicionados.

Foram usados fundos de resposta rápida e linhas de crédito emergenciais.

Isso acelerou a recuperação e evitou atrasos burocráticos. Esse modelo poderia ser adaptado à realidade indonésia.

A criação de mecanismos ágeis de desembolso e monitoramento seria um caminho.

Abordagem comunitária e o princípio "Build Back Better"

A literatura sobre recuperação pós-desastre enfatiza que reconstruir não significa apenas restaurar o que existia.

É preciso fazer melhor. Três pilares orientam essa abordagem.

O primeiro é o foco nas pessoas. A reconstrução deve ser concebida como um programa de desenvolvimento. Isso requer participação comunitária ativa.

As famílias afetadas precisam ser ouvidas sobre suas necessidades e prioridades.

O segundo pilar é o financiamento previsível e direcionado. Os recursos devem estar disponíveis para além da fase de resposta emergencial.

Isso garante continuidade ao longo dos meses seguintes. O terceiro pilar é a governança robusta.

Isso envolve coordenação entre níveis de governo. Também implica adoção de padrões técnicos atualizados. Inclui códigos de construção mais rigorosos.

O princípio do "Build Back Better" é particularmente relevante. Ele propõe reconstruir de forma mais segura, inclusiva e resiliente.

Isso envolve substituir materiais frágeis por estruturas de concreto armado. Envolve realocar comunidades de áreas de risco.

Envolve planejar o uso do solo com base em mapas de perigo sísmico.

Recomendações para Recuperação

A tabela a seguir organiza as principais recomendações por horizonte temporal.

Ela inclui ações específicas e responsáveis sugeridos.

Horizonte

Ação

Responsável sugerido

Curto prazo (0-3 meses)

Estabelecer corredores logísticos emergenciais

Governo provincial / Exército

Implementar subsídios temporários para frete

Ministério dos Transportes

Realizar avaliação detalhada de danos por setor

Badan Amil Zakat Nasional / Badan Nasional Penanggulangan Bencana

Médio prazo (3-12 meses)

Restruturação de crédito e concessão de capital de giro para micro, pequenas e médias empresas

Bancos públicos / Cooperativas

Reconstrução de moradias com padrões sísmicos aprimorados

Ministério da Habitação

Capacitação de mão de obra local para execução das obras

Governo local / SENAI

Longo prazo (1-3 anos)

Revisão de códigos de construção e planejamento urbano

Ministério das Obras Públicas

Criação de mecanismos de financiamento para riscos de desastres

Ministério da Fazenda

Fortalecimento da resiliência econômica local com diversificação produtiva

Governo provincial / Universidades


Conclusão

A recuperação econômica pós-terremoto na Indonésia exige uma abordagem coordenada e complexa. Ela precisa ir além da reparação física.

Os dados de Nusa Tenggara Timur mostram que o custo da inação pode ser significativo. A perda de atividade econômica, a inflação e a desestruturação produtiva são consequências reais.

Se a resposta não for ágil e bem planejada, esses efeitos se agravam.

Suporte financeiro direcionado às micro, pequenas e médias empresas também é essencial.

Mecanismos de financiamento previsíveis completam o quadro. Esses são os pilares para transformar um desastre natural em oportunidade. 

Mas com planejamento, coordenação e participação comunitária, é possível reconstruir.

Não apenas casas e estradas.  Mas também a confiança e a esperança de uma população. 

Uma população que merece viver com dignidade e segurança.

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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Desmatamento no Cerrado: o bioma que abastece o Brasil está secando

 

Por causa do desmatamento o Cerrado já perdeu 28% da sua cobertura original em 40 anos. São 40,5 milhões de hectares destruídos — quase três vezes o tamanho do estado de São Paulo.

Todo dia, 1.482 hectares de vegetação nativa viram pó. Em 2025, as queimadas no bioma alcançaram 8,7 milhões de hectares, o que representa 69% de toda a área queimada no Brasil.

cerrado-bioma-desmatamento

A ciência já mostrou que essa destruição não é apenas uma tragédia ambiental. É um problema de saúde pública, de economia e de sobrevivência.

O calor extremo, agravado pelo desmatamento, aumenta o risco de infartos, AVCs e doenças respiratórias.

A fumaça das queimadas piora a qualidade do ar. A dengue avança para áreas onde não existia. A seca encarece a comida e a conta de luz.

A destruição do Cerrado não é um problema do futuro. É uma conta que já está sendo paga agora, no corpo, no bolso e na mesa de cada brasileiro.

Neste texto, você vai entender por que o desmatamento do Cerrado está matando mais rápido do que a ciência conseguia prever — e o que isso significa para a sua vida.

Indicador Dado
Área desmatada em 2025 540.614 ha
Participação no desmatamento total 54,9%
Queda em relação a 2024 16,9%
Área queimada em 2025 8,7 milhões de ha
Participação nas queimadas totais 69%
Perda em 40 anos (1985–2024) 40,5 milhões de ha
Cobertura original perdida 28%
Perda na última década (2015–2024) 6,4 milhões de ha
Desmatamento concentrado no Matopiba 70%

Fonte: MapBiomas (RAD2025), INPE/PRODES, IPAM.

Cerrado lidera desmatamento no Brasil pelo terceiro ano consecutivo

O Cerrado perdeu 540.614 hectares de vegetação nativa em 2025. Sozinho, o bioma respondeu por 54,9% de todo o desmatamento registrado no país.

É o terceiro ano seguido que o Cerrado lidera os índices nacionais de destruição, mesmo com uma queda de 16,9% em relação a 2024. 

Em números absolutos, a área desmatada equivale a 1.482 hectares por dia.

A cada 24 horas, o bioma perde uma área equivalente a quase 1,5 mil campos de futebol.

A redução, embora positiva, não é suficiente para conter o avanço da agropecuária sobre a vegetação nativa. 

Enquanto a Amazônia registrou queda de 20,6% no desmatamento, o Cerrado continua sendo o bioma mais pressionado.

A região do Matopiba — Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — foi responsável por 40% de todo o desmatamento nacional e por 70% das perdas registradas no Cerrado. É lá que o agronegócio avança com mais força, e é lá que a destruição se concentra.

Os dados são do MapBiomas, divulgados em maio de 2026 com base no Relatório Anual do Desmatamento de 2025 (RAD2025). Apesar da queda, o Cerrado segue como o bioma mais vulnerável do país.

A pergunta que fica é: até quando a redução de 16,9% será motivo de alívio, enquanto o bioma que abastece as principais bacias hidrográficas do Brasil continua sendo devastado?

540 mil hectares perdidos em 2025: o retrato da destruição

Os 540.614 hectares desmatados no Cerrado em 2025 representam mais da metade de toda a área perdida no Brasil.

Para efeito de comparação, a Amazônia, que costumava liderar os índices de desmatamento, ficou em segundo lugar. O Cerrado desmatou o equivalente a 5,4 vezes a cidade de São Paulo em área.

Cada hectare de vegetação nativa derrubado significa menos água infiltrando no solo, menos carbono estocado, menos biodiversidade.

O Cerrado é o berço das águas do Brasil: abastece as bacias do Amazonas, do São Francisco e do Paraná. 

Matopiba: o coração do desmatamento no cerrado

A região do Matopiba concentrou 70% de todo o desmatamento do Cerrado em 2025. Sozinha, respondeu por 40% do desmatamento total do Brasil.

É o epicentro da destruição. A expansão da soja e da pecuária avança sobre a vegetação nativa em ritmo acelerado.

Entre os dez municípios mais desmatados do país, oito estão no Matopiba. A lógica é simples: terra barata, grãos valorizados, fiscalização frágil.

O Cerrado, que já perdeu 28% de sua cobertura original em 40 anos, continua sendo tratado como uma área descartável.

Enquanto o agronegócio comemora recordes de produção, o bioma que sustenta a água e o clima do país paga a conta.

Fogo no cerrado: 8,7 milhões de hectares queimados em 2025

Enquanto o desmatamento avança sobre a vegetação nativa, o fogo faz o trabalho sujo de limpar o que sobrou.

Em 2025, o Cerrado foi o bioma mais castigado pelas queimadas, com 8,7 milhões de hectares consumidos pelo fogo. Esse número equivale a 69% de toda a área queimada no Brasil.

O dado é da segunda edição do Relatório Anual do Fogo, divulgado pelo MapBiomas. 

O Brasil registrou 12,7 milhões de hectares queimados em 2025, uma redução de 31% em relação à média histórica de 18,4 milhões.

A queda foi puxada principalmente pela Amazônia, que teve a menor área queimada em 41 anos. 

Mas o Cerrado, mesmo com redução, manteve o triste título de campeão nacional de queimadas.

A diretora de Ciência do IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo, Ane Alencar, explica que a redução na Amazônia se deveu a condições climáticas atípicas — o período chuvoso se estendeu até abril, o que segurou o fogo.

No Cerrado, a seca prolongada e a vegetação adaptada ao fogo criaram o cenário perfeito para a propagação das chamas.

O que preocupa não é apenas o tamanho da área queimada, mas o que ela representa em termos de perda de biodiversidade, degradação do solo e emissão de carbono.

Queimadas no cerrado superam média histórica em 2025

O Cerrado queimou mais do que a sua própria média histórica. Enquanto o bioma tem uma média anual de 9,6 milhões de hectares queimados, em 2025 foram 8,7 milhões.

A queda, embora existente, é pequena perto da redução expressiva de outros biomas.

A Amazônia caiu de 15,8 milhões de hectares queimados em 2024 para 3,1 milhões em 2025 — a menor marca em 41 anos. O Pantanal teve uma queda de 85,6% em relação à sua média histórica.

O Cerrado, que deveria ser o bioma mais resistente ao fogo por sua vegetação adaptada, continuou queimando como se não houvesse amanhã.

O MapBiomas aponta que 64% de toda a área queimada no Brasil desde 1985 já foi atingida pelo fogo mais de uma vez. No Cerrado, a recorrência é ainda maior.

A vegetação queima, rebrota, queima de novo. O ciclo se repete até que o solo se degrade a ponto de não sustentar mais a vida.

Fogo e desmatamento: a combinação que destrói o bioma

O fogo no Cerrado não é acidental. Ele é uma ferramenta. A mais barata e rápida para "limpar" áreas recém-desmatadas e preparar o terreno para a pastagem ou a soja.

A relação entre desmatamento e queimadas é direta: primeiro derruba-se a vegetação nativa, depois atea-se fogo para eliminar os restos e abrir espaço para o gado ou a plantadeira.

O IPAM documentou essa conexão ao longo de anos. O fogo está intimamente ligado ao desmatamento, pois é a forma mais barata e rápida de limpar áreas recém-desmatadas.

Por muitos anos, a relação entre as duas variáveis foi ignorada ou subestimada. Hoje, os dados são inequívocos: onde há desmatamento, há fogo.

O resultado é uma dupla degradação. A vegetação que já foi derrubada perde sua função de regular o ciclo hídrico. O fogo que a segue queima o que restou, empobrece o solo e libera carbono armazenado por décadas.

A biodiversidade, que já havia sido reduzida pelo desmatamento, sofre mais um golpe. O ciclo recomeça.

Enquanto o Brasil tratar o Cerrado como uma fronteira agrícola a ser conquistada, o fogo continuará sendo usado como ferramenta de expansão. A conta será paga pelo bioma e por quem dele depende.

Perda histórica: 28% do cerrado já foi destruído em 40 anos

cerrado


O Cerrado já perdeu 28% de toda a sua cobertura nativa original. Entre 1985 e 2024, foram suprimidos 40,5 milhões de hectares de vegetação — uma área maior que o território da Espanha e quase duas vezes o estado do Paraná.

É o segundo bioma mais impactado do país, atrás apenas do Pampa.

Apenas na última década, o Cerrado perdeu 6,4 milhões de hectares de vegetação nativa. Desse total, 73% da destruição se concentrou na região do Matopiba.

A área ocupada por agricultura no bioma cresceu 533% desde 1985, e a pastagem avançou 44% no mesmo período.

A formação savânica, a mais característica do Cerrado, foi a mais afetada: perdeu 26,1 milhões de hectares, o que representa uma redução de 32% em relação a 1985.

A diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, avalia que a perda de vegetação nativa compromete diretamente a resiliência do Cerrado e suas populações frente às mudanças climáticas, agravando cenários de seca e intensificando a pressão por recursos hídricos.

O bioma que abastece as principais bacias hidrográficas do país está sendo tratado como área descartável — e a conta dessa destruição já chegou.

40,5 milhões de hectares perdidos: o preço da expansão agropecuária

Os 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa destruídos no Cerrado entre 1985 e 2024 são o resultado direto da expansão agropecuária sobre o bioma.

A agricultura foi o tipo de uso da terra que mais cresceu: 22,1 milhões de hectares adicionados, um incremento de 533% em relação a 1985. A pastagem aumentou 14,7 milhões de hectares no mesmo período.

O padrão de ocupação mudou ao longo das décadas. Até 1995, a pecuária foi a principal força de conversão da vegetação nativa. A partir dos anos 2000, a agricultura ganhou protagonismo.

Em 1985, cerca de 42% dos municípios do Cerrado tinham a agropecuária como uso majoritário do solo. Em 2024, essa proporção subiu para 58%. Os municípios com mais de 80% de vegetação nativa caíram de 37% para 16%.

O preço dessa transformação é a perda de um bioma que abriga 5% da biodiversidade mundial e abastece as bacias do Amazonas, São Francisco e Paraná.

A cada hectare de Cerrado convertido em pastagem ou soja, o país perde um pedaço do que sustenta sua própria produção agrícola no longo prazo.

O cerrado está secando: perda de água superficial e aquíferos

A vegetação do Cerrado não é apenas paisagem. Ela funciona como uma esponja: absorve a água da chuva, infiltra no solo e recarrega os aquíferos que alimentam os principais rios do Brasil.

Quando essa vegetação é derrubada, o ciclo se rompe.

A perda de 28% da cobertura nativa significa menos água infiltrando, menos nascentes brotando e menos veredas resistindo à estiagem.

O Cerrado é o berço das águas do país, mas está secando mais rápido do que a ciência previa. A própria expansão agrícola, que avançou sobre o bioma, depende da água que ele produz. Destruir o Cerrado para plantar soja é como cortar a própria raiz.

A pesquisadora Bárbara Costa, do IPAM, lembra que o bioma sofreu transformações profundas em quatro décadas. 

A superfície de água natural no Cerrado enfrentou queda entre 2012 e 2019, e a recuperação registrada em 2021 veio principalmente de reservatórios artificiais, não de nascentes naturais.

O Cerrado não está apenas perdendo árvores. Está perdendo a capacidade de manter a vida.

Impactos do desmatamento do cerrado na saúde da população

A destruição do Cerrado não é apenas um problema ambiental. A fumaça das queimadas, o calor extremo e a expansão de vetores como o Aedes aegypti estão transformando o bioma em um problema de saúde pública.

Estudos mostram que cada 1°C de aumento na temperatura eleva em 1,6% as hospitalizações por infarto. 

As queimadas aumentam em 23% a chance de o brasileiro desenvolver doenças respiratórias.

O professor Nelson Gouveia, da Faculdade de Medicina da USP, explica que o calor extremo eleva o risco de infartos, insuficiência cardíaca e outras complicações, especialmente em pessoas com doenças crônicas.

O desmatamento acelera a proliferação da dengue no Centro-Oeste. O Cerrado não está apenas perdendo árvores. Está perdendo a capacidade de sustentar a vida humana.

Onde a vegetação cai, a temperatura sobe, o ar piora e as doenças se espalham. A conta chega primeiro para os mais vulneráveis — crianças, idosos e populações sem infraestrutura.

Queimadas no cerrado agravam doenças respiratórias

A fumaça das queimadas no Cerrado não respeita fronteiras. Ela viaja centenas de quilômetros e atinge cidades distantes, carregando material particulado fino que penetra profundamente nos pulmões.

Pessoas com asma, bronquite e outras doenças respiratórias crônicas são as mais afetadas. 

A inalação de gases e partículas tóxicas desencadeia crises, agrava quadros existentes e aumenta o risco de infecções.

Estudo da FGV revelou que as queimadas aumentam em 23% a probabilidade de o brasileiro desenvolver doenças respiratórias. Em dez anos, o Brasil gastou quase R$ 1 bilhão com internações causadas pela fumaça das queimadas.

O Cerrado, que concentra 69% de toda a área queimada no país, é o principal responsável por essa conta.

O material particulado emitido na queima da vegetação contém monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos. 

Esses poluentes não apenas agravam doenças respiratórias existentes, mas também aumentam o risco de câncer de pulmão ao longo do tempo.

Calor extremo e doenças cardiovasculares

O desmatamento do Cerrado não aquece apenas o bioma. Ele aquece todo o país. A perda de vegetação reduz a umidade do ar, eleva as temperaturas e prolonga as ondas de calor.

O corpo humano, especialmente o sistema cardiovascular, sente cada grau a mais.

Para cada 1°C de aumento na temperatura, há um incremento de 1,6% nas hospitalizações por infarto do miocárdio. 

O risco de morte por infarto ou AVC pode aumentar até 50% durante períodos de calor extremo.

A desidratação reduz o volume de sangue circulante, tornando-o mais espesso e propenso à formação de coágulos. 

O coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue, elevando o risco de arritmias e insuficiência cardíaca.

O professor Nelson Gouveia, da USP, afirma que o calor extremo aumenta o risco de infartos e outras complicações, especialmente em pessoas com doenças crônicas.

A carga de doenças cardiovasculares devido ao clima quente pode dobrar nos próximos 25 anos se o ritmo atual de aquecimento for mantido. O Cerrado, ao perder sua vegetação, está acelerando esse processo.

Expansão da dengue e outras arboviroses

O desmatamento do Cerrado está mudando o mapa da dengue no Brasil. A doença, que antes se concentrava em áreas litorâneas e úmidas, agora avança sobre o Centro-Oeste.

O calor, a degradação ambiental e a falta de sombra criam o ambiente perfeito para a proliferação do Aedes aegypti.

Pesquisa da Fiocruz mostrou que o avanço do desmatamento, principalmente no Cerrado, favorece a proliferação da dengue. A incidência de larvas do mosquito é maior em regiões com desmatamento acelerado.

O comportamento da dengue no país está fora do padrão histórico. A doença não respeita mais a sazonalidade e avança para áreas antes consideradas livres do vetor.

A perda de vegetação reduz a umidade relativa do ar, cria ilhas de calor e amplia o período de reprodução do mosquito. O resultado é mais casos, mais internações e mais mortes.

O Cerrado, ao ser desmatado, está abrindo as portas para que a dengue se espalhe ainda mais rápido.

A conta econômica do desmatamento do cerrado

O Cerrado não é só paisagem. É infraestrutura. O bioma abastece oito das doze bacias hidrográficas do país e responde por quase 50% da vazão do Rio Paraná, que alimenta a usina de Itaipu.

Quando a vegetação do Cerrado é derrubada, o ciclo da água se rompe. Menos umidade no ar significa menos chuva. Menos chuva significa menos água nos reservatórios. 

Menos água nos reservatórios significa mais termelétricas acionadas, contas de luz mais caras e risco de racionamento.

O advogado Sérgio Leitão, diretor do Instituto Escolhas, resumiu: "Estamos depredando exatamente aquilo que permite a disponibilidade de chuva no país continuar sendo alta".

Um estudo recente mostrou que, se o Brasil tivesse evitado o desmatamento desde 1985, a geração hidrelétrica seria hoje 12,8 TWh maior por ano. 

Essa energia perdida é substituída por termelétricas mais caras, e o custo é repassado ao consumidor.

A seca que avança sobre o Cerrado já afeta a produção de alimentos, encarece a cesta básica e ameaça o abastecimento de água em grandes centros urbanos.

Seca no cerrado encarece comida e energia

A perda de vegetação nativa no Cerrado afeta diretamente a produtividade agrícola. Estudos mostram que, entre 1985 e 2012, o desmatamento causou uma redução média de 6% na produtividade da soja no bioma.

O número pode parecer pequeno, mas, em uma escala continental, representa bilhões de reais perdidos a cada safra.

A redução da cobertura vegetal altera o regime de chuvas. Dias chuvosos no inverno e na primavera caíram pela metade em algumas áreas. Quebras de safra estão se tornando constantes. 

O café e o cacau, culturas sensíveis à variação climática, já sentem o impacto.

Menos oferta significa preços mais altos. Um estudo da ANPEC estimou que a paralisação do desmatamento aumentaria o preço dos alimentos em 2% no acumulado até 2025.

Destruir o Cerrado é destruir a própria capacidade do país de produzir comida a preços acessíveis. Quem paga a conta é o consumidor.

Racionamento de água: o risco que já bate à porta

O Cerrado é o berço das águas do Brasil. É lá que nascem os rios que abastecem São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.

Quando a vegetação do bioma é derrubada, a água que deveria infiltrar no solo e abastecer os aquíferos escorre superficialmente ou evapora. O resultado é menos água nos reservatórios e mais risco de racionamento.

A crise hídrica de 2014-2015, que quase deixou São Paulo sem água, foi um aviso. O racionamento no Distrito Federal, que durou mais de um ano, foi outro.

Um estudo do Trata Brasil estimou que as cidades brasileiras podem ter, em média, 12 dias de racionamento de água por ano.

O desmatamento do Cerrado agrava a escassez. Apenas 11% do bioma está protegido por unidades de conservação, contra quase 50% da Amazônia.

Enquanto o desmatamento for tratado como custo aceitável, o racionamento será tratado como inevitável. 

A pergunta que fica é: até quando as grandes cidades vão ignorar que a água que consomem vem de um bioma que está sendo destruído?

Lições da austrália: manejo de savanas e recuperação de biomas

Enquanto o Cerrado queima de forma descontrolada, a Austrália desenvolveu uma abordagem que transformou o fogo em aliado da conservação.

O país utiliza o manejo integrado do fogo em suas savanas, combinando o conhecimento tradicional dos povos aborígenes com técnicas modernas de monitoramento.

O resultado é uma redução drástica dos incêndios catastróficos e a geração de créditos de carbono que financiam a própria preservação.

O programa australiano de manejo de fogo nas savanas do norte do país é um caso raro de sucesso.

Em vez de combater o fogo, os australianos aprenderam a usá-lo de forma controlada. 

Queimadas precoces, realizadas no início da estação seca, reduzem o combustível disponível para os incêndios de fim de temporada, que são mais intensos e destrutivos.

O resultado é uma paisagem em mosaico, com áreas queimadas em diferentes estágios de regeneração, o que beneficia a biodiversidade e reduz as emissões de gases de efeito estufa.

Atualmente, 32 projetos indígenas de manejo de fogo estão em andamento em 22 milhões de hectares no norte da Austrália. 

Essas iniciativas abatem cerca de 1,2 milhão de toneladas de emissões por ano e geram créditos de carbono vendidos no mercado internacional.

O Brasil poderia replicar esse modelo — se houvesse vontade política.

Manejo integrado do fogo na Austrália

O segredo do sucesso australiano está na integração entre saberes que, durante muito tempo, foram tratados como opostos.

De um lado, o conhecimento milenar dos povos aborígenes, que praticavam queimadas controladas há milhares de anos. 

De outro, a ciência moderna, com satélites, modelos de previsão e sistemas de monitoramento em tempo real.

O resultado é o que os australianos chamam de early dry season burning — queimadas realizadas logo após o fim das chuvas, quando a gramínea ainda está úmida e o fogo não se alastra.

Essas queimadas, de baixa intensidade, criam uma rede de aceiros naturais que impedem que os incêndios de fim de estação se tornem catastróficos.

A professora Mandy Muir, guardiã do conhecimento tradicional no Parque Nacional de Kakadu, resume a filosofia: "Muitos de nós somos professores por direito próprio, dado o conhecimento da terra que possuímos".

O sistema de gestão ambiental que ela descreve funcionou por dezenas de milhares de anos e, agora, é validado pela ciência e pelo mercado de carbono.

O que o Brasil pode aprender com a Austrália

O Brasil tem ciência, tem tecnologia e tem conhecimento técnico sobre manejo ambiental.

O manejo integrado do fogo não é uma novidade para os pesquisadores brasileiros. Estudos mostram que o Cerrado, assim como as savanas australianas, é um ecossistema adaptado ao fogo.

O problema é que, no Brasil, o fogo é tratado como inimigo — e não como ferramenta.

Enquanto a Austrália destina cerca de 2 milhões de dólares australianos por ano para projetos de manejo de fogo em savanas, o Brasil ainda discute se deve ou não permitir queimadas controladas em áreas protegidas.

Enquanto os australianos geram créditos de carbono com a redução de incêndios, o Brasil queima 8,7 milhões de hectares de Cerrado por ano e trata o fogo como um problema exclusivamente policial.

A diretora do IPAM, Ane Alencar, já alertou que o Brasil precisa aprender a conviver com o fogo, não apenas a combatê-lo.

O manejo integrado do fogo, que combina conhecimento tradicional, ciência e políticas ambientais de longo prazo, é o caminho. A Austrália mostrou que funciona. Falta ao Brasil a coragem de trilhar o mesmo caminho.

Conclusão

O Cerrado já perdeu 28% da sua cobertura original. É o bioma mais desmatado do país. Os impactos não são apenas ambientais. Eles são sentidos na saúde, no bolso e na mesa de cada brasileiro. A conta do desmatamento já chegou.

Até quando o país vai tratar o Cerrado como uma área descartável? 

Se você também está cansado de discursos enquanto o bioma queima, compartilhe este texto. O Cerrado não pode esperar.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Empresas de data center no Brasil ignoram custo da água e energia


O Brasil quer ser o paraíso dos data centers. E não é por acaso: matriz energética limpa, incentivos fiscais, 40% dos investimentos do setor na América Latina. 

O governo criou o Redata, um regime especial que reduz impostos para quem opera com fontes renováveis e comprova eficiência hídrica. 

placas de computador


Tudo parece certo para que o país se torne um hub global de infraestrutura digital sustentável.

Só que os releases oficiais escondem um detalhe. Um estudo publicado em 2026 revelou que o cluster de data centers de São Paulo consome 16,1 milhões de metros cúbicos de água por ano — o suficiente para abastecer mais de 100 mil residências.

O dado mais preocupante veio do pesquisador Guangda Liang, da Queen Margaret University: mais de 46% desse consumo é água "virtual". Ela não sai das torneiras dos data centers. 

Evapora dos reservatórios das hidrelétricas que geram a eletricidade consumida por eles. 

Cada kWh usado significa mais água perdida num sistema que já sofre com secas severas.

Neste texto, vou mostrar como a expansão dos data centers no Brasil cria um ciclo vicioso entre energia, água e clima — e por que a conta dessa "nuvem" vai cair sobre as cidades e as pessoas.

Data centers e o consumo de água na região metropolitana de São Paulo

Um estudo publicado na Cambridge Prisms: Water mapeou o consumo de água do cluster de data centers de São Paulo, um dos maiores da América Latina.

Ela chama atenção para um fato que pouca gente conhece: a maior parte das empresas do setor não torna públicos os dados detalhados do que realmente consomem. 

Menos de um terço dos operadores acompanha o Índice de Eficiência Hídrica. E, quando divulgam números, quase nunca separam o que é uso direto do que é uso indireto.

A professora Ana Barros, da Universidade de Illinois, colaborou com um estudo que expõe a falta de transparência do setor

Ela mostra que a maioria das empresas de data center não divulga dados claros sobre o quanto consome. 

Menos de um terço dos operadores monitora o Índice de Eficiência Hídrica. E, quando publicam números, raramente separam o consumo direto do indireto. 

Sem essa distinção, fica difícil medir o impacto real e cobrar responsabilidade. 

A falta de transparência, argumenta Barros, impede que comunidades e planejadores urbanos se preparem para a pressão sobre os recursos hídricos locais.

O impacto local já é sentido. O cluster paulista está situado na bacia do Alto Tietê, uma região já classificada como de alto estresse hídrico pela Agência Nacional de Águas e pelo World Resources Institute.

Essa mesma bacia abastece mais de 20 milhões de pessoas e já passou pelo sufoco da crise hídrica de 2014-2015. 

Adicionar uma demanda equivalente ao consumo de 100 mil residências em uma região que já vive com escassez periódica é um risco que ainda não foi levado a sério.

O ciclo vicioso: energia hidrelétrica, seca e demanda digital

O Brasil depende da água para gerar eletricidade. E os data centers dependem de eletricidade para operar.

A conexão entre água e energia parece óbvia, mas a pesquisa de Liang me mostrou um detalhe que me incomoda: o ciclo vicioso que se forma em períodos de seca.

Quando os reservatórios das hidrelétricas baixam, o sistema elétrico brasileiro é obrigado a recorrer às termelétricas — mais caras, mais poluentes e, muitas vezes, também consumidoras de água. 

Os data centers, que funcionam 24 horas por dia, todos os dias do ano, não podem reduzir o consumo. 

Isso coloca uma pressão extra sobre um sistema que já opera no limite.

O resultado é uma espiral perversa. Mais data centers exigem mais energia. Mais energia consome mais água das usinas. Menos água nos reservatórios força o acionamento de termelétricas.

E mais emissões de carbono aquecem o planeta, agravando as secas que reduzem ainda mais os reservatórios. O ciclo se realimenta e a conta chega para todos.

O pesquisador Zohar Barnett-Itzhaki, da Universidade de Haifa, estima que a pegada hídrica global da inteligência artificial pode chegar a 4,2 ou até 6,6 bilhões de metros cúbicos por ano em 2027. 

Ele lembra que a tecnologia para reduzir esse consumo já existe. O que falta é governança para aplicá-la em escala.

Ele defende um conceito que chama de "sobriedade hídrica digital", que vincule a avaliação de quais aplicações de IA são justificáveis ao consumo de água que elas exigem.

O que países como a Suécia mostram ao Brasil

A Suécia, que tem clima frio e abundância de energia renovável, vem atraindo investimentos de big techs para a construção de data centers em suas cidades do norte. 

Empresas como a EcoDataCenter e a Green Mountain usam a baixa temperatura ambiente para resfriar servidores sem evaporar água, reduzindo drasticamente o consumo hídrico.

O governo sueco também exige transparência nos relatórios de sustentabilidade, o que, como argumentam os pesquisadores Privette e Barros, é essencial para uma regulação eficaz.

A diferença entre Suécia e Brasil não é apenas climática. Lá, a transparência é uma exigência legal. Aqui, a falta de dados detalhados sobre consumo de água por data center ainda é a regra, não a exceção.

Soluções inovadoras e projetos pilotos de Data Centers no Brasil

Há iniciativas que mostram que é possível conciliar expansão digital com sustentabilidade.

Em março de 2026, a ABDI e o CPQD lançaram o Projeto ECOS, com investimento de R$ 3 milhões, para desenvolver soluções de eficiência energética e hídrica para datacenters. 

O projeto prevê um concurso de inovação que destinará R$ 1,5 milhão para startups que apresentarem tecnologias para reduzir o consumo de energia e água em centros de dados.

A Dataprev, empresa de tecnologia da Previdência Social, recebeu em 2025 a certificação máxima de eficiência energética (selo ouro) para seus data centers de Brasília e São Paulo.

O superintendente Bruno Manhães explicou que as medidas de otimização do sistema de climatização geraram uma redução de aproximadamente 42% no consumo energético.

É um exemplo de que a tecnologia para aumentar a eficiência já existe. A pergunta que me faço é por que não está sendo aplicada em escala.

O Green Grid, um consórcio industrial sem fins lucrativos, desenvolveu métricas como o Índice de Eficiência Hídrica (WUE) para medir o consumo de água por kWh de energia consumida.

A média do setor é de 1,9 litros por kWh, mas a adoção da métrica ainda é limitada. 

O que me parece evidente é que o Brasil, que se orgulha de sua matriz energética limpa, precisa tratar o consumo de água dos data centers com o mesmo rigor com que trata as emissões de carbono. 

Do contrário, a "nuvem" que promete modernidade pode se tornar, na verdade, uma tempestade sobre os recursos hídricos do país.

Conclusão

O Brasil quer ser o paraíso dos data centers, mas esqueceu de olhar para a conta da água. 

Enquanto a Suécia exige transparência, o país ignora o consumo invisível que já pressiona a bacia do Alto Tietê. 

A tecnologia para reduzir o desperdício existe. O que falta é vontade política para transformar eficiência em regra. 

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